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Marcos Resende Reality

Marcos Resende Reality

Família Pimenta e o Chaveiro

Chaveiro.jpg

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ELENCO

 

RÉGIS PIMENTA
Régis Monteiro

ESPOSA LOURDINHA
Annamaria Dias

FILHA
Marina Camargo

CUNHADA FERNANDA
Fernanda Guerra

CUNHADO MARINHO
Flávio Machado

SOGRA DONA NORMA
Noemi Gerbelli

BISAVÔ VITALIANO
Jacques Militello

EMPREGADA
Maria do Carmo Bauer

SCRIPT
Marcos Resende

DIREÇÃO
Adriano Stuart


ATORES REUNIDOS NA SALA. PREMEDITAM.

CORTE

CAMPAINHA DE RUA:
(SOA)

PIMENTA ABRE A PORTA. FAZ CHAVEIRO ENTRAR E SE SENTAR.

 

PIMENTA:
Obrigado por ter vindo logo.

(CUMPRIMENTA.)
Eu sou o Dr. Pimenta, o dono da casa.

Entra, entra, vamos sentar!

LOURDINHA ENTRANDO JUNTO COM SOGRA.

LOURDINHA:
(IRRITADA)
E não é que você chamou mesmo, Pimenta?! Eu disse para não chamar chaveiro nenhum; mas, que homem teimoso! A mala não é nossa!

 

SOGRA:
(NO MESMO TOM.)
Não é nossa — e se você tiver juízo é melhor não querer saber o que tem dentro dela!...  Eu se fosse você, entregava já pro delegado!


LOURDINHA:
Claro! Como toda pessoa sensata faria. É O QUE ELE VAI FAZER, MAMÃE!

 

PIMENTA:
(GRITANDO)

Thaís, traz essa mala aqui! I-me-dia-ta-men-te!
(A LOURDINHA E SOGRA, JÁ IRRITADO.)
É e-vi-den-te que eu vou entregar para a polícia! Mas, não antes de SABER o que tem lá dentro.


LOURDINHA:
Não vai abrir porcaria nenhuma!  E se "o senhor" estragar a mala? Uma mala de luxo, tão bonita!

THAÍS ESTONTEANTE, DE BIQUÍNI, BABY-DOLL OU ALGO QUE O VALHA. ENTRA COM UMA BELÍSSIMA MALA, GÊNERO EXECUTIVO.


PIMENTA:
(TOMANDO DELA A MALA
.)

Estraga, nada!  Foi por isso que eu chamei um chaveiro, um profissional!
(A THAÍS)
Menina, eu já não disse que não quero você vestida deste jeito, perambulando pela casa?!

THAÍS:
O senhor não mandou trazer (IMITA) i-me-dia-ta-men-te? Eu obedeci!


PIMENTA:
(A THAÍS)
Tá bom, mas, vai se vestir!
(A CHAVEIRO)
Será que o senhor consegue abrir esta mala com cuidado, sem um arranhãozinho senão, a minha mulher tem um ataque)?!

THAÍS SAI.

LOURDINHA:
(TOMANDO A MALA DE PIMENTA.)
A história é a seguinte, moço: de manhã fui ao Shopping. Carro no estacionamento, como sempre faço. Peguei, guardei as compras no porta-malas... Como sempre faço. Chegando aqui em casa, olho para o banco de trás — e esta mala estava lá.

PIMENTA:
(TOMANDO DELA.)
Tentei abrir... para ver o nome, o telefone do dono. O senhor pode ver: está trancada.

LOURDINHA:
(TOMANDO DELE.)
E trancada vai continuar!

PIMENTA:
(NÃO TOMANDO CONHECIMENTO.)
Quanto o senhor cobra para abrir esta mala, sem danificar, sem arranhar, com todo o
cuidado? Quanto fica?

CUNHADO E CUNHADA ENTRAM.

LOURDINHA:
(AO IRMÃO E CUNHADA)
O Pimenta pirou! Ele quer-porque-quer abrir esta mala que — em primeiro lugar — não é dele! E que — em segundo lugar — não tem a mínima idéia do que pode ter dentro!

PIMENTA:
(IRÔNICO)
Rá-rá-rá! Se eu soubesse o que tinha dentro porque haveria de querer abrir?

CUNHADO:
Isso é crime, Pimenta! NÃO VOU DEIXAR VOCÊ ABRIR.

PIMENTA:
(ENRAIVECIDO, PARTE PARA CIMA DO CUNHADO.)
Não vai deixar o cacete! Quero ver se você não vai deixar!


FERNANDA:
(PONDO-SE ENTRE AMBOS, APAZIGUADORA
.)
E se tiver uma bomba?

CUNHADO:
Cocaína, crack, maconha, dinheiro falso, contrabando de Viagra... Vais pegar uma cana, que eu não quero nem ver, Dr. Boticão!...


SOGRA:

Já que vai abrir MESMO, melhor examinar antes...
(SAI)

CUNHADO:
A mala pode ser da... Máfia. Aí é pior! Você vai virar peneirinha de coar fubá.

LOURDINHA:
Não quero dar uma de medrosa, nem de maluca, mas eu tenho quase certeza de que tinha um carro preto enorme me seguindo! Passou por mim, aqui em frente de casa, me viu entrando na garagem e foi embora.


PIMENTA:
Pára com isso, Lourdinha, e você, também, Marinho. Pára, pára, pára, pode parar!

THAÍS VOLTA, DESTA VEZ DE MINI-SAIA. OBSERVA PAPO.

CHAVEIRO:
(APÓS INSISTÊNCIA DE PIMENTA, FAZ PREÇO.)

TELEFONE:
(TOCA.)


EMPREGADA:
Alô! Alô! Alô! Casa do Dr. Pimenta...
(P/T)
Isso mesmo, Rua Iragildo Mariano, 46. É aqui 
mesmo! Pertinho da Voluntários...  Já está chegando?

PIMENTA:
(OFERECE 3 VEZES MAIS, PARA ELE ABRIR SEM ARRANHAR A MALA.)
(À EMPREGADA)
Quem era?

EMPREGADA:
Queriam saber o endereço daqui. Diz que tem encomenda pro senhor. Telefonaram do celular. Já estão chegando. 
(SAI.)

CUNHADO:
São eles, a Máfia!
(P/T)
O certo é você chamar a polícia, entregar a mala e pronto. Na polícia tem especialistas em explosivos. Pode ter uma bomba aí dentro.

SOGRA ENTRA COM ESTETOSCÓPIO JÁ ENFIADO NOS OUVIDOSSEM-CERIMÔNIA, AUSCULTA A MALA.

PIMENTA:
(EXASPERANDO-SE.)
Eu já disse que vou entregar para a polícia, poxa vida! Mas, antes eu quero ABRIR a mala! Nós achamos a mala; temos o direito de pelo menos SABER o que tem dentro... da mala!
(P/T)
Que bomba, o quê!...

EMPREGADA ENTRANDO.

EMPREGADA:
Tem um carrão preto cheio de homem de gravata, parado aí na porta. 'Tão tudo olhando pra cá. Tem até binóculo!
(SAI.)


SOGRA:
(AUSCULTANDO, APAVORA-SE.)
Esta mala tá fazendo tique-taque!

LOURDINHA:
(PEGANDO TELEFONE.)
Vou ligar para a polícia!

MARINHO, FERNANDA E THAÍS ATROPELAM-SE PARA AUSCULTAR A MALA. DISPENSAM O ESTETOSCÓPIO. COLAM O OUVIDO. TODOS OUVEM O TIQUE-TAQUE.

SONOPLASTIA:
(TIQUE-TAQUE)

PIMENTA:
(SEGURANDO A MÃO DE LOURDINHA.)
Não vai, não!

TELEFONE:
(TOCA.)

LOURDINHA:
(ATENDENDO)
Sim.
(PAUSA)
Dr. Pimenta.
(PAUSA)
Esposa dele.
(PAUSA)
Lá no Shopping. Meu carro é um Vectra. Cinza. Isso mesmo! A mala é sua?
(PAUSA)
Claro que a gente não abriu. Nananananão! Pode ficar tranqüilo, ninguém mexeu na mala!
(P/T)
Se eu estou dizendo que... Pode vir buscar!
(P/T)
Ah, o senhor já está aqui na porta? Então, queira entrar, por favor!
(A TODOS)
Pronto, resolvido o mistério!  O dono da mala chegou.
(DESAFIADORA)
Satisfeito, Pimenta!

PIMENTA:
Resolvido, coisa nenhuma! Por que foi que ele deixou a mala dele no seu carro?


MARINHO:
(PREOCUPADO
.)

Gente, tem alguma coisa aqui dentro fazendo tique-taque!

PIMENTA:
(COLA OUVIDO NA MALA.)
Tem mesmo!
(PASSA MALA A CHAVEIRO.)
Vê se você escuta!

SIRENE DA POLÍCIA:
(TOCA EM FRENTE À CASA.)

EMPREGADA:
(ENTRANDO)
A polícia parou aqui em frente!

BATEM À PORTA COMO SE QUISESSEM ARREBENTÁ-LA.

VOZ 1 (BANDIDO):
(ESMURRANDO A PORTA, ENTRE DESESPERADO E AUTORITÁRIO.)
Abre a porta!

VOZ 2 (POLICIAL):
Largue a arma!  O senhor está preso!

VOZ 1 (BANDIDO):
(ESMURRANDO A PORTA.)
Abre esta porta!

TROCA DE TIROS.
SEQUÊNCIA DE 7, 8 TIROS.
CESSA, DE REPENTE.

VOZ 2 (POLICIAL):
A casa caiu. Está cercada. O "mala", seu amigo, já era!  É melhor abrirem a porta.  Está todo mundo em cana!

PIMENTA:
(TRÊMULO, ABRE A PORTA)
Aqui ninguém é bandido, não!  Eu sou dentista!  Pode entrar em paz!

POLICIAL VAI DIRETO A CHAVEIRO, PÕE-LHE ALGEMAS.

POLICIAL:
João Galinha! Eu sabia que um dia eu te pegava!

EMPREGADA REVELA BRINCADEIRA.


OBSERVAÇÕES

(É importante que a voz do policial e a do bandido sejam bem diferentes entre si.)
(Uma alternativa nesta cena é colocar uma câmera do lado de fora da casa.)

 

São Paulo, 26 de maio de 1998
 Marcos Resende

 

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